A obra

Apertou-se. Diante da TV, acabrunhou-se, sentiu uma pontada na bexiga, largou a cerveja. Chegara o momento. Correu à cozinha, tirou o pau, apoiou-se na pia. Esquecera a câmera. Correu ao quarto, abriu a mochila, pô-la pra fora. Profissional. Gritou, chamou a mulher, ou assistente, naquela situação não saberia, deu-lhe a câmera, de supetão, exposto. Apertava a cabeça ou ali se mijaria. Apressou-se ao banheiro, apontou o vaso, equilibrou-se, ficou na ponta dos pés, fez a mira, pensou que ia errar, refez a pontaria, se pegasse na tampa – chuá – já urinava, bufava e benzia-se. Gritou ainda, corre aqui, à assistente, ou mulher, que já assistia. A urina fluía, esgotava-se, pingava. Dá a câmera, pediu. Captou no canto os pés, embaixo, o pinto, no meio, a arte vendida à privada.

Inspirado em uma imagem feita pela Cia de Foto, que estava aqui, mas não acho mais (e, sim, fiz logon no flickr, mas ela não apareceu :-o).

~ por Rafael Bravo Bucco em 30/07/2008.

3 Respostas to “A obra”

  1. “Captava no canto, os pés, embaixo, o pinto, no meio, a arte vendida à privada.” Gostei!
    Vida longa ao blog. Bjs, a noiva

  2. Legal, Rafael! Mas precisa de mais texto, né?
    Vou passar aqui de vez em quando só pra cobrar, hein?!

    Abs

  3. Ah, logo mais tem coisa nova! Esta semana ainda!
    abs!

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